segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Ministério da Saúde declara fim do surto de febre amarela

O Brasil não registra casos de febre amarela desde junho, quando foi confirmado o último caso da doença no Espírito Santo. O anúncio do fim do surto foi feito nesta quarta-feira (6) pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, durante a apresentação do novo boletim epidemiológico sobre a situação da doença no país. Mesmo com a interrupção da transmissão, o Ministério da Saúde ressalta a importância de manter as ações de prevenção e ampliar a cobertura vacinal para a febre amarela para prevenir novos casos da doença no próximo verão, período com maior probabilidade de ocorrência.

“A situação, hoje, está sob controle, mas é fundamental que os estados e municípios se esforcem para aumentar as coberturas vacinais nas áreas com recomendação, seja com a busca ativa de pessoas não vacinadas ou por meio de campanhas específicas, envolvendo também as escolas. Além disso, é necessário manter as ações de prevenção, como o controle de vetor, capacitação de profissionais de saúde e intensificação das ações de vigilância de epizootias”, afirmou o ministro Ricardo Barros.

Desde o início do surto, em 1º de dezembro do ano passado, até 1º de agosto deste ano, foram confirmados 777 casos e 261 óbitos por febre amarela. Outros 2.270 casos foram descartados e 213 permanecem em investigação. Além disso, 304 casos foram considerados inconclusivos, pois não foi possível produzir evidências da infecção por febre amarela ou não se encaixavam na definição de caso. No total, foram 3.564 notificações. A região Sudeste concentrou a grande maioria dos casos. Foram 764 casos confirmados, seguida das regiões Norte (10 casos confirmados) e Centro-Oeste (3 casos). As regiões Sul e Nordeste não tiveram confirmações.

Para o diretor de vigilância das doenças transmissíveis do Ministério da Saúde, João Paulo Toledo, o fim do surto se dá pelo fim da sazonalidade da doença e pelo sucesso das ações de vigilância. “Além do fim do período de maior número de casos, que é o verão, todo o empenho do Ministério da Saúde, em conjunto com estados e municípios, resultaram no controle do surto. Mas isso não significa que devemos encerrar as ações. A vacina está disponível para todos que moram ou viajam para as áreas com recomendação de vacinação”, explicou o diretor.

Aedes aegypti: Sala Nacional passa a funcionar no Ministério da Saúde

Desde sexta-feira (1/9), a Sala Nacional de Coordenação e Controle para o enfrentamento ao Aedes aegypti e suas consequências deixa oficialmente o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CENAD), estrutura do Ministério da Integração, para ocupar o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS), do Ministério da Saúde.

A sala do CIEVS já recebeu a equipe da SNCC na última rodada de videoconferências com as 27 salas estaduais no começo do mês. Presente na ocasião, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, reforçou o combate ao mosquito como uma prioridade de governo e assegurou a continuidade das medidas de prevenção.

Com o objetivo de gerenciar e monitorar as iniciativas de mobilização e combate ao mosquito em todo o país, a Sala Nacional é composta pelos ministérios da Saúde, Integração, Educação, Defesa, Desenvolvimento Social, Meio Ambiente, Cidades, além da Casa Civil e da Secretaria de Governo. Também conta com a participação do Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e outros órgãos de governo convidados.

AÇÕES INTERSETORIAIS
Ao longo do segundo semestre de 2017, ademais das atividades de monitoramento dos ciclos de visitas a imóveis urbanos e de rotina para o controle vetorial, a SNCC atua em várias frentes. Em outubro, ela mobiliza as redes da Saúde, Educação e Assistência durante a Semana Nacional de Combate. Em novembro, lança o dia D, com a nova campanha de combate ao mosquito do Governo Federal.

De modo contínuo, leilões de carros apreendidos, campanhas de coleta de pneus, mutirões de limpeza, ações nas datas comemorativas e a Sexta sem Mosquito são igualmente estimulados. O tema também será pautado nos seminários interfederativos, propostos pela Secretaria de Governo, e nos fóruns, capacitações e reuniões de Secretários e Coordenadores Estaduais de Proteção e Defesa Civil.

DENGUE, ZIKA E CHIKUNGUNYA
As diversas medidas adotadas pelo Governo Federal, voltadas para a eliminação do mosquito, resultaram na queda significativa nos casos de dengue, Zika e chikungunya. Em 2017, até 5 de agosto, foram notificados 210.627 casos prováveis de dengue em todo o país, uma redução de 85,3% em relação ao mesmo período de 2016 (1.432.691). Quanto à Zika, foram registrados 15.039 casos em todo o país, uma redução de 92,7% em relação a 2016 (205.986 casos). Já em relação à chikungunya, foram registrados 163.135 casos, o que representa uma taxa de incidência de 79,2 casos para cada 100 mil habitantes. A redução é de 35,7% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados 253.795 casos.

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domingo, 13 de agosto de 2017

Recife: pesquisadores da Fiocruz encontram zika em pernilongos


Crescem as evidências de que o mosquito Culex quinquefasciatus, o pernilongo, pode transmitir o zika. Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) encontraram cepas do vírus em insetos capturados na zona metropolitana de Recife. No ano passado, a mesma equipe descobriu, por meio de experimentos em laboratório, que o patógeno tinha a capacidade de infectar o inseto. Desta vez, porém, o contágio não se deu de forma artificial. Os pernilongos infectados eram espécimes selvagens, capturados em residências da capital pernambucana.

“O Aedes aegypti é considerado o principal vetor para humanos em todo o mundo. No entanto, há evidências de que outras espécies de mosquitos, incluindo o Culex quinquefasciatus, transmitem o vírus (…) e nossos achados indicam que pode haver uma gama mais ampla de vetores do que o esperado”, escreveram os autores em artigo divulgado ontem, na revista Emerging Microbes & Infections, do grupo Nature.

Por meio de análise do genoma parcial dos vírus, os investigadores também identificaram que eles conseguem se replicar dentro do pernilongo e chegar à glândula salivar. Partículas do micro-organismo foram, inclusive, detectadas na saliva dos mosquitos, indicando a possibilidade de transmissão para humanos por meio de picadas. Coordenadora do estudo, Constância Ayres, avalia que o trabalho demonstra, “de diversas formas diferentes”, que o Culex quinquefasciatus é um potencial vetor do vírus da zika.

Com os resultados obtidos, a equipe abre novas frentes de estudo, como descobrir se mutações no vírus influenciaram na capacidade dele de se replicar nos pernilongos e entender o papel e a importância desse mosquito na transmissão do zika durante a epidemia da doença, entre 2015 e 2016, e em condições futuras.

Independentemente das próximas análises, os investigadores fizeram algumas ponderações tendo como base as constatações atuais. “Nossas descobertas indicam que as estratégias de controle vetorial podem precisar ser reexaminadas. O controle das populações de Aedes aegypti pode não levar a uma redução global da transmissão de zika se as populações de Culex não forem afetadas”, escreveram.

Os insetos têm comportamentos diferentes. Enquanto o mosquito põe ovos em água limpa e parada, o pernilongo se concentra em matéria orgânica e esgoto. A presença deles nas cidades também não se equivale. Na área estudada, região metropolitana do Recife, a quantidade de pernilongos, segundo os pesquisadores, é cerca de 20 vezes maior do que a da população de Aedes aegypti.

domingo, 16 de julho de 2017

Zika: fim da emergência preocupa especialistas

O anúncio do Ministério da Saúde sobre fim da Emergência Nacional em Saúde Pública por zika e microcefalia no Brasil, não foi recebido com unanimidade por especialistas do país. A decisão, notificada à Organização Mundial de Saúde (OMS) um ano depois do surto de casos que colocou o país em alerta, foi atribuída principalmente à diminuição dos casos de zika e microcefalia em todo o país. A notícia foi criticada por estudiosos da área, que cobram ações efetivas contra os determinantes das doenças — como a falta de saneamento —, e maiores investimentos em vacinas. além de temer o abandono das pessoas atingidas pelos vírus.

Além da diminuição do número de casos, o governo argumentou que, neste momento, o Brasil não preenche mais os requisitos exigidos para manter o estado de emergência. Um dos quatro pontos da avaliação de risco da OMS é que o evento seja considerado incomum ou inesperado, o que não ocorre mais, visto que já há conhecimento científico suficiente que comprove a relação do zika e as alterações neurológicas.

O médico e epidemiologista Gustavo Bretas, integrante da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), em artigo de opinião publicado pelo jornal O Globo (17/5), foi um dos que criticaram a extinção do estado de emergência. Para ele, “a emergência deve ser mantida e expandida visando a buscar alternativas concretas para proteger a população de agravos decorrentes da falta de saneamento básico e de uma política avançada de desenvolvimento de vacinas”.

Pesquisadora e professora da Universidade de Brasília (UnB), a antropóloga Debora Diniz foi outra voz que se pronunciou contra a medida, sua preocupação com mulheres e crianças afetadas pelo vírus da zika, que segundo ela continuam desprotegidas das políticas sociais. “O fim da emergência as abandonará ainda mais. Serão esquecidas como vítimas de uma fatalidade que passou. Não passou. O mosquito ainda está lá. E as mulheres estão à espera das políticas prometidas”, alertou a pesquisadora.

Mesmo concordando que a situação não obedece mais aos critérios técnicos de emergência pública, Carlos Brito, professor de medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) classificou o momento como “preocupante”, prevendo novas epidemias de zika nos próximos anos. Para ele, a diminuição do número de casos se deve muito mais à sazonalidade do vírus do que à implantação de medidas preventivas efetivas no país. Ele alertou, ainda, que 50% dos brasileiros podem estar suscetíveis à infecção por zika.

Em 2017, foram confirmados 230 novos casos de microcefalia e 2.837 casos suspeitos continuam sob investigação. Ao todo, desde o início da emergência em saúde, em novembro de 2015, o Ministério da Saúde recebeu 13.490 notificações de casos suspeitos de microcefalia, dos quais 2.653 foram confirmados.

domingo, 2 de julho de 2017

Cerimônia de encerramento da 15ª Expoepi revela vencedores da mostra competitiva

Os resultados da mostra competitiva da 15ª EXPOEPI foram divulgados nesta sexta-feira (30) na cerimônia de encerramento do evento. A disputa neste ano aconteceu em 15 categorias sobre os mais variados temas da vigilância em saúde, dando espaço para discussões atualizadas e aprofundadas sobre o panorama da saúde no Brasil. Foram premiadas 45 experiências bem-sucedidas e trabalhos de profissionais e serviços de saúde do país.

A premiação foi dividida em três modalidades: experiências bem-sucedidas realizadas pelos serviços de saúde do SUS; trabalhos científicos (monografias de especialização, dissertações de mestrado, teses de doutorado) desenvolvidos por profissionais do SUS que contribuíram para o aprimoramento das ações da vigilância em saúde do país (pessoa física); e intervenções sociais, promovidas por movimentos sociais, que fortaleceram as ações de prevenção, controle e prevenção das doenças e agravos de interesse de saúde pública (pessoa jurídica).

Além destes prêmios, que totalizam 969 mil reais, a 15ª EXPOEPI teve premiações que não mobilizam recursos financeiros, mas reconhecem publicamente ações relevantes para a vigilância em saúde: o melhor artigo publicado na Epidemiologia e Serviços de Saúde – revista do SUS editada pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde (Prêmio RESS Evidencia); e as melhores investigações de surtos conduzidas pelas esferas do SUS. Para cada mostra, três finalistas foram selecionados e a ordem de classificação foi definida por votação da audiência.

O encerramento foi marcado, ainda, pelas homenagens em reconhecimento ao trabalho realizado por três profissionais da SVS na organização do evento: Elisete Duarte, Luciana Torres e João Lima, responsáveis, respectivamente, pela Comissão Científica, pela Comissão Organizadora e pela Comissão de Fiscalização. Outro momento emocionante foi a exibição de vídeo com alguns dos melhores momentos da EXPOEPI.

A mesa da cerimônia contou com a participação de diversos representantes da SVS: João Paulo Toledo e Renato Vieira Alves, do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis; Daniela Buosi, do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador; Gerson Pereira, do Departamento das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais; Cheila Lima, do Departamento de Vigilância de Doenças e Agravos Não Transmissíveis e Promoção da Saúde; Cláudia Medeiros, do Departamento de Gestão da Vigilância em Saúde; e a homenageada Elisete Duarte, da Coordenação Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços.

15ª EXPOEPI – Cerca de três mil participantes, de todas as unidades federativas do Brasil, foram inscritos para o evento. Nove oficinas de trabalho aconteceram no pré-congresso, no dia 27 de junho. Entre os dias 28 e 30, os participantes tiveram a oportunidade de visitar 17 painéis temáticos, 15 mostras competitivas, duas mesas redondas e 13 sessões de pôsteres. Durante o encontro, foram apresentados 782 trabalhos e experiências.

A Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (EXPOEPI) é uma iniciativa da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. A mostra é reconhecida por difundir os serviços de saúde do SUS que se destacaram pelos resultados alcançados em atividades de vigilância, prevenção e controle de doenças e agravos de importância para a saúde pública.

Criado em 2001 pela Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, o evento promove a atualização técnica e capacitação dos profissionais que atuam em diversas frentes, como malária, dengue, imunização, doenças crônicas não transmissíveis e investigação de surtos, entre outras.

sábado, 1 de julho de 2017

Ceará confirma mais dez mortes por chikungunya em uma semana

O estado do Ceará teve a confirmação de dez novos óbitos por chikungunya em uma semana, conforme os dados do boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde (SESA) divulgados nesta sexta-feira, 30. Agora o Estado possui 43 mortes devido à doença transmitida pelo Aedes aegypti, desde o início de 2017. Os números de casos confirmados contabilizados neste ano, 44.644, já ultrapassaram as confirmações obtidas em todo o ano passado.

A maioria dos óbitos por chikungunya é do sexo masculino, com a confirmação de 24 até o momento. As idades das vítimas variam entre dez dias e 94 anos. Somente em Fortaleza, morreram 33 pessoas. As demais mortes ocorreram nos seguintes municípios: Acopiara (1), Beberibe (2), Caucaia (3) Maranguape (1), Morada Nova (1), Pacajus (1) e Senador Pompeu (1).

De acordo com a SESA, dos casos confirmados, 29.997 (67,2%) concentraram-se nas faixas etárias entre 20 e 59 anos, e o sexo feminino foi predominante em todas as faixas etárias à exceção dos menores de 14 anos. Atualmente, 177 dos 184 municípios cearenses registraram notificações de casos suspeitos da doença, enquanto 136 confirmaram casos. A Secretaria contabiliza 98 municípios com alta incidência de casos notificados por chikungunya.

Dengue
Em mais uma semana, a dengue não apresentou mudança no quadro de óbitos. No Ceará, foram registradas oito mortes até o momento em 2017, destas cinco são do sexo feminino. Conforme o boletim, as vítimas tinham entre 2 e 84 anos e eram residentes nos municípios de Fortaleza (4), Itapajé (1), Maracanaú (1), Paracuru (1) e Tabuleiro do Norte (1).

Foram confirmados ainda 72 casos de dengue com sinais de alarme (DCSA) ocorridos nos municípios de Abaiara, Alto Santo, Aracati, Brejo Santo, Caucaia, Chorozinho, Crato, Fortaleza, Guaiúba, Paracuru, Piquet Carneiro, Russas e Tabuleiro do Norte.

Desde o início do ano, foram confirmados 13.671 casos em 138 municípios. Os casos confirmados estão distribuídos em todas as faixas etárias, mostrando uma concentração de 64,3% dos casos nas idades entre 15 e 49 anos, e o sexo feminino correspondendo a mais de 55% dos registros. O boletim aponta que oito municípios apresentam alta incidência da doença: Alto Santo, Brejo Santo, Farias Brito, Iracema, Tabuleiro do Norte, Milagres, Fortaleza e Jaguaribara.

Zika
A doença possui 402 casos confirmados no Ceará, neste ano, de 2.523 notificações de casos suspeitos. Dos casos notificados, há concentração de 77,2% na faixa etária de 15 a 49 anos, sendo sexo feminino predominante.

Do total de casos notificados, 891 foram em gestantes, sendo 38 confirmadas por critério laboratorial. Quanto ao período gestacional na fase aguda da doença, 18 das gestantes confirmadas laboratorialmente estavam no segundo trimestre de gestação, sete no primeiro trimestre e 13 no terceiro. Os municípios do Estado que confirmaram casos em gestantes foram: Brejo Santo, Caucaia, Icó, Independência, Fortaleza, Maracanaú, Horizonte, Crateús, Uruoca e Juazeiro do Norte.

15ª EXPOEPI é marcada por homenagens

Na noite de quarta-feira, 28, a 15ª EXPOEPI foi aberta oficialmente por autoridades em Brasília. Na ocasião, importantes atores da saúde coletiva do país receberam homenagem pelos serviços prestados à saúde pública.

Declarando sua satisfação em ver colaboradores dos municípios, estados e o corpo técnico do Ministério da Saúde reunidos para o compartilhamento de conhecimento, o presidente da 15ª Mostra e secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Adeilson Cavalcante, reafirmou o compromisso com um Sistema Únicos de Saúde (SUS) eficiente e humanitário.

O Ministro da Saúde, Ricardo Barros, detalhou as ações federais de melhorias no SUS, principalmente na gestão de recursos financeiros e investimentos em tecnologia. Barros expressou sua satisfação na gestão da secretaria de Vigilância lembrando dos desafios dos últimos anos, como o surto de Zika, microcefalia e Febre Amarela, mais recentemente. Sobre isso, Joaquim Molina, representante no Brasil na OPAS/OMS (Organização Pan-Americana de Saúde e Organização Mundial de Saúde), falou que as autoridades agiram prontamente e com clareza. Segundo ele, essa também foi uma oportunidade que ”revelou novos desafios para o enfrentamento de crises”, alertou. Na ocasião, Molina recebeu Certificado de Agradecimento.

Marcus Quito, coordenador da Atenção Primária do Governo do Distrito Federal, lembrou que a oportunidade da Mostra tem o objetivo de discutir intensamente a vigilância. E é esse o foco também para Ronald Ferreira, presidente do Conselho Nacional de Saúde. Para ele, esse é o momento de conhecer e reconhecer experiências exitosas na ponta e que levam saúde para a população ainda com todas as dificuldades que o SUS enfrenta em pouco mais de trinta anos de existência. Ferreira ainda classificou o momento como de reflexão sobre a construção da política de vigilância para o país, prerrogativa proposta pela 1a Conferência Nacional de Vigilância em Saúde, que acontece em novembro com a participação de diversas representações da sociedade civil. ”A democracia garante um SUS para todos”, defende.

Mauro Junqueira, presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), também reverenciou as experiências municipais levadas à Mostra que, segundo ele, valorizam o ”SUS que dá certo, o SUS que nós queremos”. Michele Caputo Neto, presidente do CONASS – Conselho Nacional dos Secretários de Saúde, saudou Jarbas Barbosa. Atual diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), ex-secretário de Vigilância em Saúde e um dos fundadores da EXPOEPI, Barbosa, foi um dos homenageados da noite.

Também receberam homenagem Adriana Suely de Oliveira Melo, Amilcar Tanuri, Ana Van Der Linden, Elisabeth Conceição de Oliveira Santos, Maria do Carmo de Melo, Vanessa Van Der Linden Mota e Volney de Magalhães Câmara.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

As arboviroses

“São as doenças transmitidas ao homem por picadas de mosquitos. Em todo o mundo, a arbovirose que mais faz vítimas é a dengue, mas outras doenças, como chicungunha e zika, crescem a cada ano”, esclarece Kleber. Elas são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti infectado e, menos comumente, pelo Aedes albopictus.

Dengue
A mais conhecida das três arboviroses possui como sintomas mais comuns febre alta, cansaço excessivo, dores de cabeça atrás dos olhos e no corpo, náuseas e vômitos.

Chikungunya
Apesar de ter sintomas parecidos com a dengue, a grande diferença da chikungunya está no acometimento das articulações: o vírus afeta as articulações dos pacientes e causa inflamações com fortes dores, podendo ser acompanhadas de inchaço, vermelhidão e calor local.

Zika
Causada pelo vírus zika, tem sintomas semelhantes aos da dengue, como febre, diarreia, náuseas e mal-estar. Porém, a grande diferença da doença é a erupção cutânea (exantema) acompanhada de coceira intensa no rosto, tronco e membros, podendo atingir a palma das mãos e a planta dos pés. Fotofobia e conjuntivite são outros sinais da infecção causada pelo vírus. Assim como nas outras doenças, pessoas de qualquer idade ou sexo podem ser afetadas pelo vírus, mas os sintomas tendem a ser mais intensos em crianças e idosos.

Observar se o local onde vai ficar durante o período de férias é arejado e sem focos de água parada é o principal cuidado que todos devem adotar. Caso note sintomas como dor no corpo, vermelhidão e febre, a recomendação é procurar o atendimento médico o mais rápido possível, além de se hidratar com líquidos e repousar.

De acordo com o médico infectologista Kleber Luz, é preciso ter em mente que a medicação infantil e a adulta diferem em dosagem e concentração, e que, por isso, é importante respeitar a dosagem indicada para cada medicamento e sempre buscar uma recomendação médica. “Mesmo diante de um quadro clínico como dengue ou chicungunha, a medicação infantil não pode ser aumentada. Qualquer remédio, quando aplicado em superdosagem, faz mal e pode somar aos problemas já existentes ao invés de trata-los”, explica o infectologista.

Vale ainda lembrar que, segundo o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde, os medicamentos mais indicados para eliminar os sintomas das arboviroses são aqueles à base de paracetamol, pela segurança que a molécula apresenta. E o mais importante: não devemos fazer uso da automedicação.

Especialistas debatem ações para Gestão Integrada das Arboviroses

Identificar e definir quais atividades o Brasil vai assumir para implementar sua Estratégia de Gestão Integrada das Arboviroses. Para a elaboração do planejamento, o Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis (DEVIT/SVS) convidou especialistas da Fiocruz, da Universidade de Goiás, da Secretaria Municipal de Saúde de BH, bem como representantes da OPAS/WDC e OPAS/ Brasil, para debater o assunto nesta segunda (26) e terça-feira (27), em Brasília. Ao fim do encontro, o grupo, que também conta com diretores e coordenadores da SVS, vai elaborar uma agenda de trabalho com a proposta brasileira que deverá ser referendada em reunião internacional.

Durante dois dias, os participantes terão a oportunidade de conhecer e avaliar as atuais atividades desempenhadas pela SVS com relação aos aspectos de gestão, vigilância epidemiológica das arboviroses, da rede e do diagnóstico laboratorial, do manejo e da vigilância entomológica.

A Estratégia de Gestão Integrada para a Prevenção e Controle das Enfermidades Arbovirais, é uma metodologia elaborada pela Organização Pan Americana de Saúde (OPAS) para auxiliar os países na redução da carga de doenças arbovirais, fortalecendo os processos de vigilância, diagnóstico e manejo. A dengue foi o primeiro agravo nas américas a ser contemplado com esse modelo de gestão.

Dengue, chikungunya e zika são três vírus que estão circulando ao mesmo tempo no Brasil, colocando a saúde pública em alerta. O infográfico "Aedes em foco: arboviroses em expansão no Brasil" trata das origens dessas enfermidades, sintomas, complicações e riscos na gravidez e para recém-nascidos.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

15ª EXPOEPI será em junho e premiará três modalidades de iniciativas


A 15ª edição da Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (15ª EXPOEPI), promovida pela Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde (SVS/MS), volta em 2017 para prestigiar mais uma vez os trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS). A 15ª EXPOEPI acontecerá entre os dias 27 e 30 de junho, em Brasília, e será a oportunidade para os trabalhadores e gestores do SUS trocarem informações e experiências para o aprimoramento das ações de vigilância em saúde.

O evento é reconhecido como importante evento, que tem como objetivo difundir os serviços de saúde do SUS, que se destacaram pelos resultados alcançados em atividades de vigilância, prevenção e controle de doenças e agravos de importância para a Saúde Pública. Este ano, o evento espera um público de aproximadamente 2.500 participantes.

Criada em 2001, a Mostra promove a atualização técnica e a capacitação dos profissionais que atuam em diversas frentes da vigilância em saúde, como a prevenção e controle das doenças transmissíveis, resposta à emergência de importância para a Saúde Pública, vigilância das doenças crônicas e agravos não transmissíveis, vigilância em saúde ambiental e saúde do trabalhador. Ao longo de sua história, já foram quase seis mil trabalhos submetidos, com 182 experiências premiadas e mais de 15 mil participantes nas edições do evento. Tudo isso para prestigiar o trabalho de quem atua nos serviços promovendo a saúde e tornando o SUS cada vez mais forte.

Os prêmios desta edição, regulamentados por edital público, totalizam o montante de R$ 969.000,00, e para todas as categorias previstas serão premiados os três primeiros colocados. Serão premiadas as experiências bem-sucedidas dos serviços de saúde; os trabalhos técnico-científicos no âmbito de programas de pós-graduação dos profissionais que atuam no SUS; e experiências bem-sucedidas conduzidas pelos movimentos sociais que contribuíram para o aprimoramento das ações da vigilância em saúde.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Aedes aegypti: consegue transmitir Dengue, Chikungunya e Zika na mesma picada

Um novo estudo da Universidade Estadual do Colorado (CSU, sigla em inglês) descobriu que o mosquito Aedes aegypti consegue transmitir múltiplos vírus em uma única picada, como os da dengue, zika e chikungunya. Os resultados foram publicados na revista "Nature Communications" nesta sexta-feira (19).

Os pesquisadores acreditam que os resultados jogam luz sobre como ocorre uma coinfecção - quando uma pessoa é atingida por duas ou mais doenças ao mesmo tempo. Eles dizem que o mecanismo ainda não é compreendido totalmente e que pode ser bastante comum em áreas afetadas por surtos, como o Brasil.

A equipe da CSU infectou os mosquitos em laboratório com os três tipos de vírus, depois realizaram testes para verificar qual a taxa de transmissão. De acordo com o estudo, ainda não há uma razão para acreditar que uma coinfecção possa ser mais grave do que ser atingido por um só vírus. As pesquisas sobre o assunto são escassas.

A líder da pesquisa, Claudia Ruckert, pós-doutora do laboratório de doenças infecciosas e artrópodes da CSU, diz que a equipe chegou ao resultado de que é possível uma coinfecção, mas que a transmissão dos três vírus simultaneamente é mais raro.

"Infecções de dois vírus, no entanto, são bastante comuns, ou mais comuns do que poderíamos imaginar", disse.

Os pesquisadores querem, a partir de agora, tentar descobrir se algum desses vírus é dominante e consegue "superar" os outros dentro do organismo dos mosquitos. "Todos os três vírus se replicam em uma área muito pequena do corpo do mosquito", explicou Ruckert. "Quando os mosquitos são infectados por dois ou três diferentes vírus, não há quase nenhum efeito sobre o que eles podem fazer um com o outro no mesmo mosquito."

Uma equipe da Nicarágua analisou um grande número de coinfecções, mas não observou mudanças na hospitalização dos pacientes ou no estado clínico. Outros estudos, porém, encontraram uma possível ligação entre uma múltipla infecção com complicações neurológicas.

"Dependendo de como os diagnósticos são usados, e dependendo de como os médicos pensam, é possível que a presença de um segundo vírus não seja notada", avaliou Ruckert. "Isso pode definitivamente conduzir uma interpretação errada da gravidade da doença".

Além de analisar essa relação entre os diferentes vírus no corpo dos mosquitos, a pesquisa pretende, mais tarde, inserir o responsável pela febre amarela nos testes.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Precisamos controlar o mosquito Aedes aegypti

No Brasil, todas as atenções estão voltadas para o mosquito Aedes aegypti. Ao mosquito, é atribuído o contágio de uma tríplice epidemia dos vírus que causam dengue, febre chikungunya e, mais recentemente, o zika vírus. Este, a propósito, tem causado temores, sobretudo a mulheres gestantes, por estar relacionado a caso de microcefalia em fetos – uma má-formação congênita que reduz o tamanho do crânio do bebê e que pode trazer sequelas motoras e de linguagem. A situação, no entanto, tem sido agravada em função de mal-entendidos e de informações falsas sobre prevenção e consequências da doença.

Elas não se tornam mais ou menos perigosa por isso. É uma casualidade que estamos vivendo, uma triste coincidência, que é ter os três tipos de vírus transmitidos pelo mesmo mosquito, circulando ao mesmo tempo no país. O que complica é que assim fica mais difícil o atendimento aos doentes, porque os sintomas podem ser confundidos, como no caso da dengue com o zika vírus. E em relação à chikungunya, aqueles casos mais brandos, mais leves, que também podem ser confundidos com a dengue. Mas, as medidas preventivas contra o vetor, que são os mosquitos, são as mesmas.

O erro está no modelo de desenvolvimento econômico que o Brasil adotou a 500 anos. Não é um erro do gestor atual, mas deste processo de desenvolvimento econômico, que privilegia o crescimento urbano acelerado e desorganizado sem o devido suporte dos instrumentos necessários para a tender a população, como, por exemplo, coleta regular de resíduos sólidos, fornecimento de água de modo regular para consumo doméstico e a própria distribuição geográfica de vários espaços.

Não tem como o poder público, depois de tantos anos de apartheid social que foi feito nessas favelas, manter um controle de vetor. Se você procurar uma fotografia de Paraisópolis, em São Paulo, ou da Rocinha, no Rio de Janeiro, você vai ter a clara noção de que é impossível ter um controle de vetor numa comunidade dessas. Por outro lado, nós temos que ter consciência de que estamos diante de um evento de extrema gravidade do ponto de vista de saúde pública, que poderá marcar uma geração de brasileiros, da mesma forma como marcou a poliomielite.

Se você andar pela rua, vai ver muita gente jogando descartáveis fora do lixo. Enquanto persistir isso, não tem solução. A gente tem que se conscientizar. Nós estamos brincando de controlar o Aedes aegypti nesses trinta anos que tem dengue no país. Nós estamos usando uma estratégia que não está dando certo.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Febre amarela: vírus do atual surto tem mutação genética inédita

Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) finalizaram o sequenciamento completo do genoma do vírus responsável pelo atual surto de febre amarela no país. A partir dessa análise, eles encontraram variações inéditas em algumas de suas sequências genéticas. Não há registro anterior dessas mutações na literatura científica mundial, de acordo com a instituição.

Sobre um possível impacto das mutações para a vacina disponível no Brasil, a equipe de cientistas explica que o imunizante adotado atualmente protege contra diferentes genótipos do vírus, incluindo o sul americano e o africano, e que as alterações detectadas no estudo não afetam as proteínas do envelope do vírus, que são centrais para o funcionamento da vacina.

Desde o aumento de casos no Brasil, a Fiocruz fez os primeiros sequenciamentos do vírus. Foram utilizadas duas amostras de macacos bugios do Espírito Santo, mortos em fevereiro de 2017.

“Os bugios são especialmente importantes nas investigações sobre a febre amarela por serem considerados 'sentinelas': como são muito vulneráveis ao vírus, estão entre os primeiros a morrer quando afetados pela doença. Além disso, estes animais amplificam eficientemente o vírus em seu organismo”, descreve Ricardo Lourenço, que é veterinário e entomologista.

Um resultado inicial apontou que esse vírus da febre amarela pertence ao subtipo genético conhecido como linhagem Sul Americana 1E, que atua no Brasil desde 2008. No entanto, com o final da análise completa, os cientistas conseguiram detectar as variações genéticas, que estão associadas a proteínas envolvidas na replicação viral.

De acordo com os pesquisadores, os impactos da descoberta para a saúde pública ainda precisam ser investigados e apontam a necessidade de que mais amostras sejam sequenciadas, relativas a outros lugares do Brasil e com coletas em humanos, macacos e mosquitos. Novos resultados deverão ser apresentados nas próximas semanas.

Os resultados da pesquisa foram encaminhados pela presidência da Fiocruz ao Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis, do Ministério da Saúde. De acordo com Myrna Bonaldo, uma das pesquisadoras, os resultados também foram encaminhados para a comunidade internacional, incluindo Itália, Estados Unidos e Inglaterra.

A instituição informa, adicionalmente, que outros dados ainda não publicados apontam os mesmos resultados para a análise de mosquitos coletados no Espírito Santo e para um macaco morto no Rio de Janeiro.

A fundação diz, ainda, que o estudo "partiu de uma constatação que vem ganhando cada vez mais espaço". Segundo eles, "a atual situação de febre amarela tem lacunas de entendimento sobre sua dinâmica de dispersão."

Esse é o maior surto de febre amarela das últimas décadas. O último boletim do Ministério da Saúde confirmou 756 casos no país, com 259 mortes devido à infecção. Os casos continuam silvestres, com infecções em regiões de mata e/ou rurais. A doença é transmitida pelos mosquitos Sabethes e Haemagogus.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Ministério da Saúde declara fim da Emergência Nacional para Zika e microcefalia

O Ministério da Saúde declarou, nesta quinta-feira (11), fim da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) em decorrência do vírus Zika e sua associação com a microcefalia e outras alterações neurológicas. A decisão, informada à Organização Mundial da Saúde (OMS) por meio de nova avaliação de risco, ocorre 18 meses após a decretação de emergência, em um momento de queda nos casos de Zika e microcefalia em todo o país. O conjunto de ações voltadas para a eliminação do mosquito Aedes aegypti implantadas pelo Governo Federal, contribuiu - juntamente com a mobilização da população - para a diminuição dos casos.

Durante o anúncio, o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Adeílson Cavalcante, destacou que o enfrentamento ao Aedes aegypti será mantido em todos os níveis de vigilância. “O fim da emergência não significa o fim da vigilância ou da assistência. O Ministério da Saúde e os outros órgãos envolvidos no tema irão manter a política de combate ao Zika, dengue e chikungunya, assim como os estados e municípios”. O secretário adiantou ainda que a equipe do Ministério já está trabalhando nas ações para a próxima sazonalidade das doenças, que ocorre no verão, com intensificação das visitas domiciliares. “O eixo principal para evitar os casos das três doenças é manter o combate ao mosquito Aedes aegypti”, esclareceu o secretário.

Até 15 de abril deste ano, foram registrados 7.911 casos de Zika em todo o país, uma redução de 95,3% em relação a 2016, quando ocorreram 170.535 notificações. Os dados de microcefalia têm apresentado redução importante no número de casos novos notificados a cada semana, desde maio de 2016. Os casos novos mensais têm se mantido em 2% desde o mês de janeiro de 2017. No pico dos casos de microcefalia, em dezembro de 2015, foi registrado incremento de 135% nas notificações.

Neste momento, o Brasil não preenche mais os requisitos exigidos para manter o estado de emergência. Um dos quatro pontos da avaliação de risco da OMS é de que o evento seja considerado incomum ou inesperado, o que não ocorre mais, visto que já há conhecimento científico suficiente que comprove a relação do Zika e as alterações neurológicas. O Governo Federal continuará tratando o tema como prioridade, incentivando pesquisas e mantendo a vigilância e assistência às vítimas.

MS: Novo protocolo sobre microcefalia e alterações do sistema nervoso central em bebês

O Ministério da Saúde acaba de publicar a versão final do livro: “Orientações Integradas de Vigilância e Atenção à Saúde no âmbito da Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional”, elaborado pelas Secretarias de Atenção à Saúde (SAS) e Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS). Seu objetivo principal é estabelecer procedimentos integrados para realização das ações de vigilância e atenção à saúde, visando à identificação de complicações relacionadas à infecção pelo vírus Zika e outras etiologias infecciosas, no pré-natal, parto, pós-parto e puericultura nos primeiros 3 anos de vida, bem como a promoção do cuidado adequado às crianças com alterações no crescimento e no desenvolvimento, independentemente da etiologia.

Para o secretário de Vigilância em Saúde, Adeilson Cavalcante, “esta publicação é o resultado concreto do trabalho conjunto de toda equipe técnica do Ministério, que se dedicou para construir um material que servirá para orientar as condutas da vigilância em saúde e dos serviços”. O diretor do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis (DEVIT), João Paulo Toledo, destacou que “com este documento o SUS está mais forte e mais preparado para lidar com o monitoramento das alterações em crianças com infecção causada pelo vírus Zika e outras causas”.

A obra apresenta as definições atualizadas para notificação, investigação e classificação dos casos, que foram elaboradas, de forma consensuada, com representantes de Sociedades Científicas Médicas, outras instituições e especialistas convidados. Também são indicadas as novas orientações para investigação laboratorial e continuidade do cuidado na Rede de Atenção à Saúde, além de fortalecer as ações de apoio psicossocial para gestantes, famílias e crianças e, também, norteará na definição de estratégias e orientações para o planejamento reprodutivo, pré-natal, parto, nascimento, puerpério e puericultura.

A publicação, que ajudará na atuação integrada das equipes de vigilância e atenção à saúde, vem para substituir os protocolos de “Vigilância e resposta à ocorrência de microcefalia e/ou alterações do sistema nervoso central (SNC)” e o de “Atenção à saúde e resposta à ocorrência de microcefalia”, ambos publicados em março de 2016.

Considerando as várias lacunas ainda existentes no conhecimento sobre a infecção pelo vírus Zika, deve ser ressaltado que as informações e recomendações agora divulgadas são passíveis de revisão no caso de incorporação de novos conhecimentos e evidências.