segunda-feira, 26 de junho de 2017

As arboviroses

“São as doenças transmitidas ao homem por picadas de mosquitos. Em todo o mundo, a arbovirose que mais faz vítimas é a dengue, mas outras doenças, como chicungunha e zika, crescem a cada ano”, esclarece Kleber. Elas são transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti infectado e, menos comumente, pelo Aedes albopictus.

Dengue
A mais conhecida das três arboviroses possui como sintomas mais comuns febre alta, cansaço excessivo, dores de cabeça atrás dos olhos e no corpo, náuseas e vômitos.

Chikungunya
Apesar de ter sintomas parecidos com a dengue, a grande diferença da chikungunya está no acometimento das articulações: o vírus afeta as articulações dos pacientes e causa inflamações com fortes dores, podendo ser acompanhadas de inchaço, vermelhidão e calor local.

Zika
Causada pelo vírus zika, tem sintomas semelhantes aos da dengue, como febre, diarreia, náuseas e mal-estar. Porém, a grande diferença da doença é a erupção cutânea (exantema) acompanhada de coceira intensa no rosto, tronco e membros, podendo atingir a palma das mãos e a planta dos pés. Fotofobia e conjuntivite são outros sinais da infecção causada pelo vírus. Assim como nas outras doenças, pessoas de qualquer idade ou sexo podem ser afetadas pelo vírus, mas os sintomas tendem a ser mais intensos em crianças e idosos.

Observar se o local onde vai ficar durante o período de férias é arejado e sem focos de água parada é o principal cuidado que todos devem adotar. Caso note sintomas como dor no corpo, vermelhidão e febre, a recomendação é procurar o atendimento médico o mais rápido possível, além de se hidratar com líquidos e repousar.

De acordo com o médico infectologista Kleber Luz, é preciso ter em mente que a medicação infantil e a adulta diferem em dosagem e concentração, e que, por isso, é importante respeitar a dosagem indicada para cada medicamento e sempre buscar uma recomendação médica. “Mesmo diante de um quadro clínico como dengue ou chicungunha, a medicação infantil não pode ser aumentada. Qualquer remédio, quando aplicado em superdosagem, faz mal e pode somar aos problemas já existentes ao invés de trata-los”, explica o infectologista.

Vale ainda lembrar que, segundo o Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde, os medicamentos mais indicados para eliminar os sintomas das arboviroses são aqueles à base de paracetamol, pela segurança que a molécula apresenta. E o mais importante: não devemos fazer uso da automedicação.

Especialistas debatem ações para Gestão Integrada das Arboviroses

Identificar e definir quais atividades o Brasil vai assumir para implementar sua Estratégia de Gestão Integrada das Arboviroses. Para a elaboração do planejamento, o Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis (DEVIT/SVS) convidou especialistas da Fiocruz, da Universidade de Goiás, da Secretaria Municipal de Saúde de BH, bem como representantes da OPAS/WDC e OPAS/ Brasil, para debater o assunto nesta segunda (26) e terça-feira (27), em Brasília. Ao fim do encontro, o grupo, que também conta com diretores e coordenadores da SVS, vai elaborar uma agenda de trabalho com a proposta brasileira que deverá ser referendada em reunião internacional.

Durante dois dias, os participantes terão a oportunidade de conhecer e avaliar as atuais atividades desempenhadas pela SVS com relação aos aspectos de gestão, vigilância epidemiológica das arboviroses, da rede e do diagnóstico laboratorial, do manejo e da vigilância entomológica.

A Estratégia de Gestão Integrada para a Prevenção e Controle das Enfermidades Arbovirais, é uma metodologia elaborada pela Organização Pan Americana de Saúde (OPAS) para auxiliar os países na redução da carga de doenças arbovirais, fortalecendo os processos de vigilância, diagnóstico e manejo. A dengue foi o primeiro agravo nas américas a ser contemplado com esse modelo de gestão.

Dengue, chikungunya e zika são três vírus que estão circulando ao mesmo tempo no Brasil, colocando a saúde pública em alerta. O infográfico "Aedes em foco: arboviroses em expansão no Brasil" trata das origens dessas enfermidades, sintomas, complicações e riscos na gravidez e para recém-nascidos.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

15ª EXPOEPI será em junho e premiará três modalidades de iniciativas


A 15ª edição da Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças (15ª EXPOEPI), promovida pela Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde (SVS/MS), volta em 2017 para prestigiar mais uma vez os trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS). A 15ª EXPOEPI acontecerá entre os dias 27 e 30 de junho, em Brasília, e será a oportunidade para os trabalhadores e gestores do SUS trocarem informações e experiências para o aprimoramento das ações de vigilância em saúde.

O evento é reconhecido como importante evento, que tem como objetivo difundir os serviços de saúde do SUS, que se destacaram pelos resultados alcançados em atividades de vigilância, prevenção e controle de doenças e agravos de importância para a Saúde Pública. Este ano, o evento espera um público de aproximadamente 2.500 participantes.

Criada em 2001, a Mostra promove a atualização técnica e a capacitação dos profissionais que atuam em diversas frentes da vigilância em saúde, como a prevenção e controle das doenças transmissíveis, resposta à emergência de importância para a Saúde Pública, vigilância das doenças crônicas e agravos não transmissíveis, vigilância em saúde ambiental e saúde do trabalhador. Ao longo de sua história, já foram quase seis mil trabalhos submetidos, com 182 experiências premiadas e mais de 15 mil participantes nas edições do evento. Tudo isso para prestigiar o trabalho de quem atua nos serviços promovendo a saúde e tornando o SUS cada vez mais forte.

Os prêmios desta edição, regulamentados por edital público, totalizam o montante de R$ 969.000,00, e para todas as categorias previstas serão premiados os três primeiros colocados. Serão premiadas as experiências bem-sucedidas dos serviços de saúde; os trabalhos técnico-científicos no âmbito de programas de pós-graduação dos profissionais que atuam no SUS; e experiências bem-sucedidas conduzidas pelos movimentos sociais que contribuíram para o aprimoramento das ações da vigilância em saúde.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Aedes aegypti: consegue transmitir Dengue, Chikungunya e Zika na mesma picada

Um novo estudo da Universidade Estadual do Colorado (CSU, sigla em inglês) descobriu que o mosquito Aedes aegypti consegue transmitir múltiplos vírus em uma única picada, como os da dengue, zika e chikungunya. Os resultados foram publicados na revista "Nature Communications" nesta sexta-feira (19).

Os pesquisadores acreditam que os resultados jogam luz sobre como ocorre uma coinfecção - quando uma pessoa é atingida por duas ou mais doenças ao mesmo tempo. Eles dizem que o mecanismo ainda não é compreendido totalmente e que pode ser bastante comum em áreas afetadas por surtos, como o Brasil.

A equipe da CSU infectou os mosquitos em laboratório com os três tipos de vírus, depois realizaram testes para verificar qual a taxa de transmissão. De acordo com o estudo, ainda não há uma razão para acreditar que uma coinfecção possa ser mais grave do que ser atingido por um só vírus. As pesquisas sobre o assunto são escassas.

A líder da pesquisa, Claudia Ruckert, pós-doutora do laboratório de doenças infecciosas e artrópodes da CSU, diz que a equipe chegou ao resultado de que é possível uma coinfecção, mas que a transmissão dos três vírus simultaneamente é mais raro.

"Infecções de dois vírus, no entanto, são bastante comuns, ou mais comuns do que poderíamos imaginar", disse.

Os pesquisadores querem, a partir de agora, tentar descobrir se algum desses vírus é dominante e consegue "superar" os outros dentro do organismo dos mosquitos. "Todos os três vírus se replicam em uma área muito pequena do corpo do mosquito", explicou Ruckert. "Quando os mosquitos são infectados por dois ou três diferentes vírus, não há quase nenhum efeito sobre o que eles podem fazer um com o outro no mesmo mosquito."

Uma equipe da Nicarágua analisou um grande número de coinfecções, mas não observou mudanças na hospitalização dos pacientes ou no estado clínico. Outros estudos, porém, encontraram uma possível ligação entre uma múltipla infecção com complicações neurológicas.

"Dependendo de como os diagnósticos são usados, e dependendo de como os médicos pensam, é possível que a presença de um segundo vírus não seja notada", avaliou Ruckert. "Isso pode definitivamente conduzir uma interpretação errada da gravidade da doença".

Além de analisar essa relação entre os diferentes vírus no corpo dos mosquitos, a pesquisa pretende, mais tarde, inserir o responsável pela febre amarela nos testes.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Precisamos controlar o mosquito Aedes aegypti

No Brasil, todas as atenções estão voltadas para o mosquito Aedes aegypti. Ao mosquito, é atribuído o contágio de uma tríplice epidemia dos vírus que causam dengue, febre chikungunya e, mais recentemente, o zika vírus. Este, a propósito, tem causado temores, sobretudo a mulheres gestantes, por estar relacionado a caso de microcefalia em fetos – uma má-formação congênita que reduz o tamanho do crânio do bebê e que pode trazer sequelas motoras e de linguagem. A situação, no entanto, tem sido agravada em função de mal-entendidos e de informações falsas sobre prevenção e consequências da doença.

Elas não se tornam mais ou menos perigosa por isso. É uma casualidade que estamos vivendo, uma triste coincidência, que é ter os três tipos de vírus transmitidos pelo mesmo mosquito, circulando ao mesmo tempo no país. O que complica é que assim fica mais difícil o atendimento aos doentes, porque os sintomas podem ser confundidos, como no caso da dengue com o zika vírus. E em relação à chikungunya, aqueles casos mais brandos, mais leves, que também podem ser confundidos com a dengue. Mas, as medidas preventivas contra o vetor, que são os mosquitos, são as mesmas.

O erro está no modelo de desenvolvimento econômico que o Brasil adotou a 500 anos. Não é um erro do gestor atual, mas deste processo de desenvolvimento econômico, que privilegia o crescimento urbano acelerado e desorganizado sem o devido suporte dos instrumentos necessários para a tender a população, como, por exemplo, coleta regular de resíduos sólidos, fornecimento de água de modo regular para consumo doméstico e a própria distribuição geográfica de vários espaços.

Não tem como o poder público, depois de tantos anos de apartheid social que foi feito nessas favelas, manter um controle de vetor. Se você procurar uma fotografia de Paraisópolis, em São Paulo, ou da Rocinha, no Rio de Janeiro, você vai ter a clara noção de que é impossível ter um controle de vetor numa comunidade dessas. Por outro lado, nós temos que ter consciência de que estamos diante de um evento de extrema gravidade do ponto de vista de saúde pública, que poderá marcar uma geração de brasileiros, da mesma forma como marcou a poliomielite.

Se você andar pela rua, vai ver muita gente jogando descartáveis fora do lixo. Enquanto persistir isso, não tem solução. A gente tem que se conscientizar. Nós estamos brincando de controlar o Aedes aegypti nesses trinta anos que tem dengue no país. Nós estamos usando uma estratégia que não está dando certo.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Febre amarela: vírus do atual surto tem mutação genética inédita

Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) finalizaram o sequenciamento completo do genoma do vírus responsável pelo atual surto de febre amarela no país. A partir dessa análise, eles encontraram variações inéditas em algumas de suas sequências genéticas. Não há registro anterior dessas mutações na literatura científica mundial, de acordo com a instituição.

Sobre um possível impacto das mutações para a vacina disponível no Brasil, a equipe de cientistas explica que o imunizante adotado atualmente protege contra diferentes genótipos do vírus, incluindo o sul americano e o africano, e que as alterações detectadas no estudo não afetam as proteínas do envelope do vírus, que são centrais para o funcionamento da vacina.

Desde o aumento de casos no Brasil, a Fiocruz fez os primeiros sequenciamentos do vírus. Foram utilizadas duas amostras de macacos bugios do Espírito Santo, mortos em fevereiro de 2017.

“Os bugios são especialmente importantes nas investigações sobre a febre amarela por serem considerados 'sentinelas': como são muito vulneráveis ao vírus, estão entre os primeiros a morrer quando afetados pela doença. Além disso, estes animais amplificam eficientemente o vírus em seu organismo”, descreve Ricardo Lourenço, que é veterinário e entomologista.

Um resultado inicial apontou que esse vírus da febre amarela pertence ao subtipo genético conhecido como linhagem Sul Americana 1E, que atua no Brasil desde 2008. No entanto, com o final da análise completa, os cientistas conseguiram detectar as variações genéticas, que estão associadas a proteínas envolvidas na replicação viral.

De acordo com os pesquisadores, os impactos da descoberta para a saúde pública ainda precisam ser investigados e apontam a necessidade de que mais amostras sejam sequenciadas, relativas a outros lugares do Brasil e com coletas em humanos, macacos e mosquitos. Novos resultados deverão ser apresentados nas próximas semanas.

Os resultados da pesquisa foram encaminhados pela presidência da Fiocruz ao Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis, do Ministério da Saúde. De acordo com Myrna Bonaldo, uma das pesquisadoras, os resultados também foram encaminhados para a comunidade internacional, incluindo Itália, Estados Unidos e Inglaterra.

A instituição informa, adicionalmente, que outros dados ainda não publicados apontam os mesmos resultados para a análise de mosquitos coletados no Espírito Santo e para um macaco morto no Rio de Janeiro.

A fundação diz, ainda, que o estudo "partiu de uma constatação que vem ganhando cada vez mais espaço". Segundo eles, "a atual situação de febre amarela tem lacunas de entendimento sobre sua dinâmica de dispersão."

Esse é o maior surto de febre amarela das últimas décadas. O último boletim do Ministério da Saúde confirmou 756 casos no país, com 259 mortes devido à infecção. Os casos continuam silvestres, com infecções em regiões de mata e/ou rurais. A doença é transmitida pelos mosquitos Sabethes e Haemagogus.

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Ministério da Saúde declara fim da Emergência Nacional para Zika e microcefalia

O Ministério da Saúde declarou, nesta quinta-feira (11), fim da Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) em decorrência do vírus Zika e sua associação com a microcefalia e outras alterações neurológicas. A decisão, informada à Organização Mundial da Saúde (OMS) por meio de nova avaliação de risco, ocorre 18 meses após a decretação de emergência, em um momento de queda nos casos de Zika e microcefalia em todo o país. O conjunto de ações voltadas para a eliminação do mosquito Aedes aegypti implantadas pelo Governo Federal, contribuiu - juntamente com a mobilização da população - para a diminuição dos casos.

Durante o anúncio, o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Adeílson Cavalcante, destacou que o enfrentamento ao Aedes aegypti será mantido em todos os níveis de vigilância. “O fim da emergência não significa o fim da vigilância ou da assistência. O Ministério da Saúde e os outros órgãos envolvidos no tema irão manter a política de combate ao Zika, dengue e chikungunya, assim como os estados e municípios”. O secretário adiantou ainda que a equipe do Ministério já está trabalhando nas ações para a próxima sazonalidade das doenças, que ocorre no verão, com intensificação das visitas domiciliares. “O eixo principal para evitar os casos das três doenças é manter o combate ao mosquito Aedes aegypti”, esclareceu o secretário.

Até 15 de abril deste ano, foram registrados 7.911 casos de Zika em todo o país, uma redução de 95,3% em relação a 2016, quando ocorreram 170.535 notificações. Os dados de microcefalia têm apresentado redução importante no número de casos novos notificados a cada semana, desde maio de 2016. Os casos novos mensais têm se mantido em 2% desde o mês de janeiro de 2017. No pico dos casos de microcefalia, em dezembro de 2015, foi registrado incremento de 135% nas notificações.

Neste momento, o Brasil não preenche mais os requisitos exigidos para manter o estado de emergência. Um dos quatro pontos da avaliação de risco da OMS é de que o evento seja considerado incomum ou inesperado, o que não ocorre mais, visto que já há conhecimento científico suficiente que comprove a relação do Zika e as alterações neurológicas. O Governo Federal continuará tratando o tema como prioridade, incentivando pesquisas e mantendo a vigilância e assistência às vítimas.

MS: Novo protocolo sobre microcefalia e alterações do sistema nervoso central em bebês

O Ministério da Saúde acaba de publicar a versão final do livro: “Orientações Integradas de Vigilância e Atenção à Saúde no âmbito da Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional”, elaborado pelas Secretarias de Atenção à Saúde (SAS) e Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS). Seu objetivo principal é estabelecer procedimentos integrados para realização das ações de vigilância e atenção à saúde, visando à identificação de complicações relacionadas à infecção pelo vírus Zika e outras etiologias infecciosas, no pré-natal, parto, pós-parto e puericultura nos primeiros 3 anos de vida, bem como a promoção do cuidado adequado às crianças com alterações no crescimento e no desenvolvimento, independentemente da etiologia.

Para o secretário de Vigilância em Saúde, Adeilson Cavalcante, “esta publicação é o resultado concreto do trabalho conjunto de toda equipe técnica do Ministério, que se dedicou para construir um material que servirá para orientar as condutas da vigilância em saúde e dos serviços”. O diretor do Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis (DEVIT), João Paulo Toledo, destacou que “com este documento o SUS está mais forte e mais preparado para lidar com o monitoramento das alterações em crianças com infecção causada pelo vírus Zika e outras causas”.

A obra apresenta as definições atualizadas para notificação, investigação e classificação dos casos, que foram elaboradas, de forma consensuada, com representantes de Sociedades Científicas Médicas, outras instituições e especialistas convidados. Também são indicadas as novas orientações para investigação laboratorial e continuidade do cuidado na Rede de Atenção à Saúde, além de fortalecer as ações de apoio psicossocial para gestantes, famílias e crianças e, também, norteará na definição de estratégias e orientações para o planejamento reprodutivo, pré-natal, parto, nascimento, puerpério e puericultura.

A publicação, que ajudará na atuação integrada das equipes de vigilância e atenção à saúde, vem para substituir os protocolos de “Vigilância e resposta à ocorrência de microcefalia e/ou alterações do sistema nervoso central (SNC)” e o de “Atenção à saúde e resposta à ocorrência de microcefalia”, ambos publicados em março de 2016.

Considerando as várias lacunas ainda existentes no conhecimento sobre a infecção pelo vírus Zika, deve ser ressaltado que as informações e recomendações agora divulgadas são passíveis de revisão no caso de incorporação de novos conhecimentos e evidências.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Iª Conferencia Nacional de Vigilância em Saúde acontecerá em Novembro

O Conselho Nacional de Saúde (CNS) realizará, entre os dias 21 e 24 de novembro de 2017, em Brasília, a Iª Conferencia Nacional de Vigilância em Saúde (CNVS). O objetivo é estender as discussões em defesa do Sistema único de Saúde (SUS) e desenvolver ações para a construção de uma Política Nacional de Vigilância em Saúde.

A Iª CNVS também vai debater a integração dos programas de todas as vigilâncias, sendo: epidemiológicas, sanitárias, em saúde ambiental, do trabalhador e dos laboratórios de saúde pública. Também tem entre os eixos discutir as responsabilidades do Estado e dos governos com a Vigilância em Saúde.

Com o tema “Vigilância em Saúde: Direito, Conquistas e Defesa de um SUS Público de Qualidade” a 1ª CNVS é aberta para a participação de usuários, trabalhadores, gestores, representantes de movimentos sociais, ONGs, entidades e instituições com atuação em defesa da saúde pública.

Oficinas, seminários e conferências livres já estão ocorrendo, em diferentes locais, para fortalecer o debate. A conferência nacional será precedida por etapas municipais e/ou macrorregionais, programadas para ocorrer de 22 de junho a 31 de agosto. As etapas estaduais serão de 1º de setembro a 21 de outubro.

domingo, 23 de abril de 2017

Origem da Febre Amarela

A febre amarela era desconhecida na Europa antes da segunda viagem de Colombo, no ano de 1495. Após batalha ocorrida entre os nativos e espanhóis, na ilha Espanhola (Santo Domingo, atual Haiti), os nativos sobreviventes fugiram para as florestas e montanhas. Colombo realizou várias incursões dentro da floresta em busca dos habitantes locais. Após alguns meses, um grande número de espanhóis e indígenas ficou doente. Alguns cronistas, como Béranger-Féraud (1856-1936) em seu livro Traité théorique et clinique de la fièvre jaune, publicado em Paris no ano de 1890, acreditavam que as descrições daqueles doentes permitem identificar a doença que os acometeu como sendo a febre amarela.

Os primeiros registros dos sintomas e as características da doença datam de 1635. Estes registros foram feitos pelo jesuíta Raymond de Breton (1609-1679) que, ao chegar às Antilhas, descreveu os sintomas que acometeram os imigrantes franceses como pele amarelada e vômitos negros. Breton foi bastante direto ao relatar que a causa do contágio estava ligada à derrubada da mata, como indicam estas suas palavras: “medida que cortavam o bosque, a terra arrojava seu veneno.

Seus relatos informam que as pessoas desenvolviam sintomas que se assemelhavam a algo como um “golpe de barra” nas costas, após um período de trabalhos realizados nas matas. Para muitos comentadores estes registros são característicos da forma silvestre da doença.

No México, em Yucatán, em 1648, frei Diego Lopez de Cogolludo (1610-1686) descreveu detalhes de uma doença manifestada de forma epidêmica cujos sintomas não eram conhecidos dos médicos. Em seu relato, frei Cogolludo descreveu a evolução da doença em todos os seus estágios, até o óbito.

Também há relatos que atribuem a origem da febre amarela à África. Como os navios que vinham para a América passavam pelo norte do continente africano, muitos acreditavam que suas tripulações e mercadorias traziam a doença para o Novo Mundo.

No Brasil, há citação sobre essa origem africana de uma febre “mui maligna” em obra escrita em Pernambuco entre os anos 1691 e 1692, e publicada em Portugal em 1694. Esta obra foi escrita pelo médico João Ferreira Rosa e foi intitulada Trattado Único de Constituição Pestilencial. Nas primeiras p ginas, Rosa incluiu as “notícias dos motivos” que o levaram a empreender seu estudo. Um dos motivos é uma carta do Marquez de Monte Bello, então Governador da Província de Pernambuco, temendo que a pestilência, já conhecida em São Thomé, se instalasse em Recife e Olinda.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Zika: sintomas, transmissão e tratamento

É um vírus transmitido pelo Aedes aegypti e foi identificado pela primeira vez no Brasil em abril de 2015. O vírus Zika recebeu a mesma denominação do local de origem de sua identificação em 1947, após detecção em macacos sentinelas para monitoramento da febre amarela, na floresta Zika, em Uganda.

Cerca de 80% das pessoas infectadas pelo vírus Zika não desenvolvem manifestações clínicas. Os principais sintomas são dor de cabeça, febre baixa, dores leves nas articulações, manchas vermelhas na pele, coceira e vermelhidão nos olhos. Outros sintomas menos frequentes são inchaço no corpo, dor de garganta, tosse e vômitos. No geral, a evolução da doença é benigna e os sintomas desaparecem espontaneamente após 3 a 7 dias. No entanto, a dor nas articulações pode persistir por aproximadamente um mês. Formas graves e atípicas são raras, mas quando ocorrem podem, excepcionalmente, evoluir para óbito, como identificado no mês de novembro de 2015, pela primeira vez na história.

Transmissão
O principal modo de transmissão do vírus é pela picada do mosquito. Outras possíveis formas de transmissão do vírus Zika precisam ser avaliadas com mais profundidade, com base em estudos científicos. Não há evidências de transmissão do vírus Zika por meio do leite materno, assim como por urina e saliva. Conforme estudos aplicados na Polinésia Francesa, não foi identificada a replicação do vírus em amostras do leite, assim como a doença não pode ser classificada como sexualmente transmissível. Também não há descrição de transmissão por saliva. É crescente a evidência de que o vírus pode ser sexualmente transmissível. Em maio, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou o guia interino de prevenção da transmissão sexual do vírus Zika.

Entre pessoas infectadas pelo vírus Zika (adultos e crianças), cerca de 80% não desenvolvem sintomas, sejam adultos ou crianças. Dentre essas pessoas, apenas uma pequena parcela pode vir a desenvolver algum tipo de complicação, que deverá ser avaliada pelos médicos, uma vez que o Zika é uma doença nova e suas complicações ainda não foram descritas.

Sobre a transmissão via sexual. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda, dentre outras medidas, a prática de sexo seguro por mulheres gestantes que vivem em áreas de alta transmissão do vírus.

Se gera imunidade. Outros vírus parecidos com o Zika geram imunidade para a vida inteira. Quem já teve dengue pelo vírus 1, por exemplo, não voltará a ter pelo mesmo vírus. O mesmo acontece com a febre amarela. Porém, ainda não há estudos suficientes para afirmar isso em relação ao vírus Zika.

Tratamento
Não existe tratamento específico para a infecção pelo vírus Zika. Também não há vacina contra o vírus. O tratamento recomendado para os casos sintomáticos é baseado no uso de paracetamol ou dipirona para o controle da febre e manejo da dor.

Não se recomenda o uso de ácido acetilsalicílico (AAS) e outros anti-inflamatórios, em função do risco aumentado de complicações hemorrágicas descritas nas infecções por outros flavivírus. Os casos suspeitos devem ser tratados como dengue, devido à sua maior frequência e gravidade conhecida.

domingo, 16 de abril de 2017

Cientistas encontram vestígio do vírus zika em outro mosquito além do Aedes aegypti

Pesquisadores encontraram fragmentos de RNA (ácido ribonucleico) do vírus da zika em mosquitos "primos" do Aedes aegypti coletados no Brasil, levantando a preocupação de que outras espécies possam transmitir a doença.

Os testes foram feitos com mosquitos Aedes albopictus, que também são capazes de transmitir a dengue. Esses mosquitos, aliás, ganharam o apelido de "tigres asiáticos" porque são os responsáveis por surtos da doença na Ásia — em regiões onde não existe o Aedes aegypti. No entanto, até então, não havia indícios de que o mosquito pudesse carregar o vírus da zika.

A pesquisa não conclui que o mosquito tigre asiático pode transmitir zika aos seres humanos, mas destaca a necessidade de uma investigação mais aprofundada sobre novos vetores para o vírus que se espalhou rapidamente pelas Américas desde 2015. É o que afirma Chelsea Smartt, professora associada do Laboratório de Entomologia da Universidade da Flórida e principal autora do estudo a ser publicado esta semana na "Entomological Society of America's Journal of Medical Entomology".

Nossos resultados significam que o Aedes albopictus pode ter um papel na transmissão do vírus da zika e deve ser motivo de preocupação para a saúde pública — ressalta ela. — Este mosquito é encontrado em todo o mundo e tem uma grande variedade de hospedeiros. O papel deste mosquito na transmissão do vírus da zika precisa ser avaliado.

Chelsea e uma equipe internacional de pesquisadores coletaram mosquitos em residências no Brasil e incubaram ovos no laboratório. Mosquitos Aedes albopictus machos testarm positivo para RNA de zika, o que significa que as fêmeas coletadas tinham entrado em contato com a zika e passaram fragmentos do vírus para os seus descendentes. Ainda não está claro, entretanto, se isso quer dizer que esse mosquito pode "transmitir verticalmente" o vírus da zika, dos pais para a prole.

Como detectamos fragmentos de RNA de zika sem encontrar o vírus da zika vivo, pode ser que a mãe não tenha sido capaz de transferir o vírus vivo para seus ovos — explica a pesquisadora da Flórida.

Até agora, o Aedes aegypti é a espécie conhecida como o vetor primário para transmissão de zika a humanos, embora os pesquisadores suspeitem que outras espécies possam estar envolvidas. Chelsea Smartt diz que "extensa pesquisa ainda precisa ser feita" para confirmar se o Aedes albopictus também é um transmissor. Enquanto isso, porém, os achados atuais enfatizam a necessidade de cautela entre cientistas e médicos.

É importante testar para RNA de zika todos os mosquitos coletados em áreas com um grande número de casos da doença, e, se os os testes derem positivo, os mosquitos devem ser testados para verificar se o vírus está vivo.

No Brasil, o Aedes albopictus chegou na década de 1980, nos estados do sudeste (Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo). Ele é considerado vetor secundário da dengue.

Apesar de não haver nenhum registro de exemplares adultos desse mosquito infectados com o vírus dengue no país, a espécie é alvo de estudos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) que monitoram o crescimento de sua população e investigam seus aspectos biológicos e ecológicos em comparação aos do Aedes aegypti.

Encontrado tanto na zona urbana como na rural, o Aedes albopictus tem preferência por áreas cobertas por vegetação — por isso é considerado um mosquito de jardim —, no entorno ou mais distante das residências, em regiões rurais.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Chikungunya pode provocar lesões irreversíveis

As marcas deixadas pela chikungunya — doença viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti — envolvem lesões vasculares irreversíveis, revela pesquisa inédita realizada pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). O levantamento, feito de março a novembro de 2016, mostrou que os pacientes apresentaram problemas como linfedema agudo (acúmulo de líquido nas pernas devido ao bloqueio do sistema linfático) e edema no dorso do pé. 

Os relatos indicam pernas pesadas, inchaço nos pés e dificuldades para andar: dos 32 pacientes analisados pelo estudo, 29 voltaram para ser acompanhados pelos médicos do hospital, 20 repetiram o exame e foi constatado que 65% apresentavam alterações vasculares crônicas, noticiou a BBC Brasil (12/2).

O novo surto de febre amarela, no início de 2017, fez com que a chikungunya perdesse a atenção da mídia, mas o problema não deve ser negligenciado: foram registrados 271.824 mil casos da doença no país em 2016, um aumento expressivo em relação aos 36 mil observados em 2015 — a maior incidência foi no Nordeste, que concentrou cerca de 86% das ocorrências. O número de mortes subiu de 14 em 2015 para 196 em 2016. Segundo a cirurgiã vascular responsável pelo estudo, Catarina Almeida, as manifestações vasculares da doença estavam restritas a fases iniciais, mas a pesquisa mostrou não só uma nova manifestação como a cronificação dela. A matéria ainda aponta que esses pacientes vão precisar aprender a “conviver” com as dores provocadas pela doença. Para amenizá-las, o recomendado é o uso de meias de compressão, a drenagem linfática e a elevação dos pés.

Candidata a vacina da zika se mostra eficaz em camundongos

Camundongos que receberam a dose de uma candidata a vacina da zika feita com o vírus vivo atenuado ficaram protegidos contra a doença, relata um artigo publicado nesta segunda-feira, dia 10, na revista científica "Nature Medicine". Os resultados das experiências em animais sugerem que a vacina é promissora, e testes em humanos devem começar ainda este ano. Especialmente no Brasil, a doença provocou muitos casos de microcefalia e outras deformidades em bebês.

Fruto de uma parceria entre o Instituto Evandro Chagas do Pará — órgão ligado ao Ministério da Saúde —, a Universidade do Texas e os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH), a vacina pode ser dada em apenas uma dose, enquanto outras necessitam de até três doses para completarem a imunização.

Isso acontece porque a vacina com o vírus atenuado é mais potente: o vírus continua vivo, mas é alterado de forma que ele não consiga provocar a doença mas permaneça forte o suficiente para levar o corpo a produzir uma resposta imunológica.

O virologista Pedro Vasconcelos, diretor do Instituto Evandro Chagas, explica que parte do material genético do vírus for retirada.

— Subtraímos dez nucleotídeos, o que foi suficiente para atenuar o vírus. O candidato vacinal ficou, então, com dez nucleotídeos a menos do que o vírus selvagem — conta ele.

Os testes foram feitos em camundongos deficientes de uma proteína chamada interferon, que atua na proteção do organismo contra infecções virais. Eles eram, portanto, especialmente suscetíveis à infecção do vírus da zika.

Depois de 30 dias, os animais vacinados foram expostos ao vírus selvagem e não apresentaram viremia, ou seja, a presença do vírus no sangue. Isso indica que a vacina cumpriu sua missão de imunizar os animais.

Zika: doloroso esquecimento

“As mulheres do zika foram esquecidas”, denunciou Debora Diniz, em artigo publicado na revista Carta Capital (6/2). Pesquisadora do Instituto de Bioética (Anis) e integrante da Rede Nacional de Especialistas em Zika e Doenças Correlatas, do Ministério da Saúde, ela escreveu sobre as mães e crianças “abandonadas pela política pública, que sobrevivem como podem a uma das maiores tragédias já vistas no Brasil”. Debora, que é autora do livro “Zika — Do Sertão Nordestino à Ameaça Global”, lançado em 2016 pela editora Civilização Brasileira (Radis 169), lamentou que, passados o alarme inicial em torno da doença, as eleições e as promessas feitas, o medo tenha se tornado realidade para as famílias vítimas do vírus.

Débora narrou às condições em que vivem as mães de filhos vítimas da zika, no sertão de Alagoas — sem alimentação ideal e sem condições de transporte para atendimento — e fala de uma segunda geração de mulheres que se infectou com o vírus na gravidez, cujos filhos nasceram afetados pela síndrome neurológica. “Não sei se há alguém feliz nesta tragédia humanitária”, questiona Debora, advertindo que muito ainda há por se fazer. “Talvez, haja gente aliviada pelo silêncio. Se não houve pressão pública pelo anúncio do primeiro ano da epidemia global, é porque o problema não mais existe: zika acabou no Brasil, dizem alguns”.

Opinião semelhante foi manifestada pela primeira médica a detectar a ligação entre o zika vírus e os fetos com má formação. Em entrevista à Agência Reuters (7/2), Adriana Melo, do Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (Isea), em Campina Grande (PB), disse que o Brasil esqueceu rápido demais a tragédia das mães e dos dois mil bebês nascidos com microcefalia e corre o risco de uma segunda onda de infecções, caso o vírus sofra mutação. Ela disse temer que a assistência de longo prazo “esteja começando a falhar agora que a crise passou e o interesse pelo assunto diminuiu”, e estimou que em aproximadamente uma década o Brasil terá uma nova geração de mães em potencial que não são imunes e, portanto, estarão vulneráveis, caso o vírus comece a circular novamente.

domingo, 2 de abril de 2017

SVS lança o livro Vírus Zika no Brasil: a resposta do SUS

A publicação “Vírus Zika no Brasil: a resposta do SUS” é um esforço da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS) para reunir em um único volume a experiência do período de um ano de trabalho intensivo para identificar a causa do surto de microcefalia que atingiu o país a partir do final do ano de 2015.
 
Com cerca de 150 páginas, organizado em sete capítulos e com 33 autores, o livro mostra o muito que se fez para saber a origem do agravo, associado ao vírus Zika, e suas consequências. Com o aprofundamento das investigações, foi possível expandir o diagnóstico para Alterações do Sistema Nervoso Central, situação para a qual ainda não há tratamento, mas cuidados paliativos para oferecer mais qualidade de vida às crianças, suas mães e familiares.

Diversas instituições públicas e privadas, nacionais e internacionais, continuam pesquisando as causas deste agravo por terem a certeza de que o vírus Zika não é o único agente. Investiga-se a associação de fatores sócio-ambientais no expressivo aumento do número de casos de microcefalia. Uma questão que ainda segue sem resposta. Até dezembro de 2016, o Ministério da Saúde registrou 10.867 notificações de Alterações do Sistema Nervoso Central, sendo que 2.366 casos foram confirmados.

O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Adeilson Cavalcante, diz que “pouco mais de um ano após outubro de 2015, quando foi feita a primeira notificação de caso, não sabemos por que o vírus Zika teve esse perfil tão cruel no Brasil, diferente de outros países, mesmo da América Latina, que registraram um número bem inferior de casos de microcefalia associada ao vírus”. E completa, “sabemos que outras causas devem estar relacionadas ao vírus Zika para provocar o cenário diferenciado ocorrido no Brasil. E, mais ainda, no interior da região Nordeste”.

As primeiras investigações de campo, feitas pela equipe do EpiSus/SVS, em parceria com a Opas/OMS, estados e municípios, mostraram que o Brasil estava diante de um problema grave e desconhecido. Em novembro do mesmo ano, ocorreu a identificação do vírus Zika no líquido amniótico de gestantes e a certeza de que aquele vírus, até então considerado não agressivo, era o responsável pelas graves sequelas ocorridas em bebês, como a microcefalia e outros agravos.

Em um ano de surto de microcefalia e outras malformações atribuídas ao vírus Zika, os cientistas do Brasil e do mundo aprenderam muito. Foi um volume de conhecimento semelhante ao de três ou quatro décadas de estudos. Nunca se publicou tanto.

Para alcançar esse resultado, duas mulheres do Nordeste do Brasil contribuíram muito para o avanço da ciência. Elas doaram amostras de seu líquido amniótico para que os cientistas pudessem identificar o que causava microcefalia em bebês.

Com esta atitude solidária, a comunidade científica conseguiu identificar o alto risco que o vírus Zika representa para as gestantes.

Nesta publicação a SVS/MS reconhece a grandeza do gesto de Maria da Conceição Alcantara Oliveira Matias e de Géssica Eduardo dos Santos, duas mulheres do interior da Paraíba, que sofreram com o diagnóstico dado a seus bebês ainda em gestação.

Este livro é dedicado às mulheres corajosas que enfrentaram o período epidêmico da microcefalia no Brasil.

segunda-feira, 27 de março de 2017

SESAP, RN: moderniza processo de investigação de óbitos por arboviroses

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (SESAP), através da Subcoordenadoria de Vigilância Epidemiológica (SUVIGE), vem trabalhando para modernizar o processo de investigação dos óbitos ocorridos no Estado, que tem como causa suspeita as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti – dengue, zika, febre chikungunya e febre amarela.

Em virtude da epidemia das arboviroses, ocorrida no ano de 2016, um grande número de óbitos suspeitos precisava ser investigado. Na época foram sinalizados 230 óbitos suspeitos pelas diversas arboviroses. Foi criada então uma Comissão de Investigação e Encerramento de Óbitos por Arboviroses, formada por técnicos da Vigilância Epidemiológica e coordenada pelo médico Clemente Neto. Dependendo do caso a ser investigado também são convidados a integrar a Comissão, profissionais do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), Laboratório Central (LACEN), além de médicos infectologistas de hospitais e universidades.

“Nós identificamos algumas fragilidades na forma como as investigações eram feitas. Com a criação da comissão, nós já conseguimos encerrar a investigação de 34 óbitos. Além disso, elaboramos e formatamos um treinamento para médicos, enfermeiros, hospitais e vigilância em saúde dos municípios sobre como fazer a investigação estruturada dos óbitos. Já realizamos o treinamento na Grande Natal, além da 1ª e 3ª regiões de saúde”, explicou Clemente Neto.

As próximas reuniões acontecem nos seguintes municípios: Santa Cruz (07/04), Mossoró (27 e 28/04), Caicó (04 e 05/05) e Pau dos Ferros (01 e 02/06).

Uma das principais mudanças no processo de trabalho foi a criação de uma ferramenta online para cadastramento dos dados, chamada de Síntese de Investigação das Arboviroses que utiliza a plataforma do FormSUS (sistema do Ministério da Saúde) como base. Todo o sistema foi desenvolvido pela comissão.

Para um óbito ser considerado encerrado e encaminhado para estatísticas do Ministério da Saúde ele passa por várias etapas de investigação, onde são reunidos dados como a declaração de óbito, exames laboratoriais, além de investigações no hospital e também, em alguns casos, no domicílio da pessoa que veio a óbito.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Casos de dengue, zika e chikungunya diminuem em 2017 no Brasil

No início de 2017, ao contrário do que os epidemiologistas diziam, os casos de zika, de chikungunya e de dengue diminuíram no Brasil. O surto de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti não aconteceu. Mas é fundamental que a gente não relaxe nas medidas de combate ao mosquito.

O clima pode ter ajudado. Choveu menos que o esperado. Mas um especialista diz que o surto de 2016 também contribuiu. Muitas pessoas ficaram doentes e provavelmente ficaram imunes, não terão mais nem zika nem chikungunya.

“Se cria uma imunidade de rebanho. O que é isso? É uma quantidade grande de pessoas que tiveram infecção sintomática ou assintomática e que estão protegidas e, com isso, as infecções que elas recebem, as reinfecções, elas não se manifestam. E dessa forma, o vírus não tem condição de se espalhar, de se disseminar”, explica o epidemiologista Pedro Tauil, da UnB.

Com a dengue é diferente. São quatro tipos de vírus e podemos pegar os quatro. Mas o número de casos de dengue também diminuiu. Foram quase 50 mil casos prováveis da doença. Uma redução de 90% em comparação com 2016.

Mas a gente tem certeza, os mosquitos são pequenos, é até difícil de mostrá-los. Mas como são perigosos: se reproduzem com uma facilidade enorme e aí não tem jeito. O surto não aconteceu, ainda bem, mas não dá para relaxar.

“É possível que nos próximos verões, se a gente ainda tiver mais chuva e não houver um bom controle do mosquito, a gente tenha um surto de chikungunya. A mesma coisa com dengue”, diz, os infectologistas.

“A luta contra o Aedes aegypti precisa continuar. Quer seja pelos métodos tradicionais de educação, de melhorias do saneamento, de condições adequadas nas habitações. Além desses, nós estamos buscando inovações para aprimorar o controle desse mosquito”, afirma Pedro Tauil.

quinta-feira, 23 de março de 2017

15ª EXPOEPI

O Ministério da Saúde, por intermédio da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), realiza de 28 de novembro a 02 de dezembro, em Brasília, a 15ª Mostra Nacional de Experiências Bem-Sucedidas em Epidemiologia, Prevenção e Controle de Doenças – EXPOEPI. Gestores do SUS, acadêmicos e movimentos sociais podem inscrever seus trabalhos até treze de julho.

A Expoepi é um momento importante para a troca e a construção do conhecimento na área de vigilância em saúde, além de distribuir prêmios para as melhores iniciativas no setor de até 50 mil reais.

O cronograma das principais etapas relacionadas ao evento, publicado no Edital nº1 de maio de 2016, está em atualização e, em breve, terá sua retificação publicada.

Para mais informações, acompanhem a página da Secretaria de Vigilância em Saúde, no Portal da Saúde.

terça-feira, 21 de março de 2017

Serrinha dos Pintos, RN: no controle do Aedes aegypti

A Prefeitura Municipal de Serrinha dos Pintos, através da Secretaria Municipal de Saúde e apoio das demais secretarias municipais realizaram campanha de combate ao mosquito Aedes Aegypti em Serrinha dos Pintos, com caminhada, panfletos trabalho educativos em toda zona urbana da cidade, passando pelas principais ruas.

Durante o percurso foram visitadas inúmeras residências e realizada a entrega de folhetos explicativos da campanha, bem como a averiguação de terrenos baldios e abertos a procura de objetos que podem acumular larvas do mosquito.

Esta ação teve a caminhada da Prefeita Rosânia Teixeira, a equipe de limpeza da cidade, caminhões de coleta, alunos das escolas da rede municipal de ensino, diretores escolares, professores, coordenadores, agentes de endemias e funcionários da secretária municipal de Saúde também participaram da mobilização.

Enfrentamento da dengue ainda é um desafio mundial

A Secretaria de Vigilância em Saúde realizou de 14 a 16 de março, em Brasília, o 1º Workshop Internacional Asiático-Latino-Americano sobre Diagnóstico, Manejo Clínico e Vigilância da Dengue. O evento foi em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e o Programa de Cooperação de Singapura, com o objetivo de fortalecer as capacidades técnicas dos participantes de países das Américas e Ásia sobre dengue – esta arbovirose é considerada a maior infecção viral do mundo transmitida por mosquitos.

Vinte e um países participaram do workshop: Brasil, Barbados, Colômbia, Costa Rica, Cuba, República Dominicana, El Salvador, Guiana Francesa, Índia, Jamaica, Malásia, México, Nicarágua, Paraguai, Peru, Filipinas, Porto Rico, Singapura, Tailândia, Venezuela e Vietnã.

De acordo com Luis Gerardo Castellanos, chefe da Unidade de Doenças Infecciosas Negligenciadas, Tropicais e Transmitidas por Vetores da OPAS/OMS, a organização está atenta as pessoas que vivem em condições de vulnerabilidade e de extrema pobreza na região das Américas. “A dengue é um problema de gerações, que nos desafia cada vez mais. Temos que ser mais fortes que esse vetor e essa doença”, alertou. Ele destacou que o manejo das arboviroses deve ser feito de forma integrada, “não podemos falar apenas em combater o mosquito transmissor”.

O coordenador-geral dos Programas Nacionais de Controle e Prevenção da Malária e das Doenças Transmitidas pelo Aedes aegypti (CGENCMD) do Ministério da Saúde, Divino Valero Martins, explicou a situação vivida pelo país nos últimos anos. “Estamos passando por momentos conturbados, principalmente por conta da capacidade etimológica do Aedes aegypti para novas arboviroses.” Uma das preocupações expostas por ele é em relação à infestação do Aedes, que já está presente em até 80% dos municípios brasileiros.

“Temos a circulação simultânea dos três arbovírus (dengue, chikungunya e zika). A similaridade entre eles traz um conjunto de dúvidas do ponto de vista clinico e laboratorial, por haver muitas vezes resultados cruzados”.

A bióloga Lívia Vinhal, da CGENCMD, disse também que é intenção da SVS unificar a ficha de notificação de casos de agravos provocados por mosquitos, criando um único documento para “arboviroses”. Disse ainda que a coinfecção é um desafio para os serviços de saúde e que esta forma de agravo foi identificada nos últimos três anos, com a entrada no Brasil dos vírus da Zika e Chikungunya.

Siew Fei Chin, chefe de Missão e encarregada de Negócios da Embaixada da República de Singapura em Brasília, falou sobre como seu país tem enfrentado o principal transmissor da dengue, o Aedes. “Estamos tentando novos métodos de controle de vetores, como a infecção de mosquitos com a bactéria Wolbachia, o que pode complementar os esforços para a redução da população de vetores na comunidade", revelou.

Ministério da Saúde atualiza casos notificados de febre amarela no país

O Ministério da Saúde atualizou as informações repassadas pelas secretarias estaduais de saúde sobre a situação da febre amarela no país. Até esta sexta-feira (17), foram confirmados 448 casos da doença. Ao todo, foram notificados 1.561 casos suspeitos, sendo que 850 permanecem em investigação e 263 foram descartados. Dos 264 óbitos notificados, 144 foram confirmados, 110 ainda são investigados e 10 foram descartados.

A vacinação de rotina para febre amarela é ofertada em 19 estados (Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) com recomendação para imunização. Vale destacar que na Bahia, Piauí, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a vacinação não ocorre em todos os municípios. Além das áreas com recomendação, neste momento, também está sendo vacinada de forma escalonada a população do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Todas as pessoas que vivem nesses locais devem tomar duas doses da vacina ao longo da vida.

Desde o início deste ano, o Ministério da Saúde tem enviado doses extras da vacina contra a febre amarela aos estados que estão registrando casos suspeitos da doença, além de outros localizados na divisa com áreas que tenham notificado casos. No total, 17,49 milhões de doses extras foram enviadas para cinco estados: Minas Gerais (7,5 milhões), São Paulo (3,58 milhões), Espírito Santo (3,45 milhões), Rio de Janeiro (2,05 milhão) e Bahia (900 mil). O quantitativo é um adicional às doses de rotina do Calendário Nacional de Vacinação, enviadas mensalmente aos estados.

Atualmente, 254 municípios dos cinco estados prioritários (SP, MG, ES, RJ e BA) com intensificação de vacina estão com cobertura vacinal acima de 95%. Em 2016, esse número era de apenas 58 municípios, um crescimento de mais de 300%. Apenas no estado de Minas Gerais foram 189 municípios com cobertura acima de 95%, em contraposição aos 25 no ano passado. É importante destacar que as atuais coberturas vacinais são preliminares, uma vez já que estados e municípios priorizam ações de vacinação.