A dengue não para de fazer vítimas em Minas e acende
sinal de alerta especialmente no Triângulo, Norte e Vale do Aço, regiões que
concentram a maior parte das mortes e onde há maior incidência da doença.
Balanço divulgado ontem pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) confirmou o
ritmo acelerado de transmissão do vírus da dengue, com aumento de 20% das
notificações em relação ao número anterior: já são 148.351 registros – eram
123.694 na semana passada –, com 37.733 casos confirmados.
A pequena Veríssimo, no Triângulo, ocupa o primeiro
lugar na lista de municípios com maior taxa de notificações. Dos 3,5 mil
habitantes, 491 estão com suspeita da doença. É uma mostra de como a situação
na região é grave. Das 34 mortes em decorrência da dengue (seis em uma semana),
13 ocorreram no Triângulo. A região concentra, com o Vale do Aço e o Norte, a
maioria das 43 cidades que registraram quadro de epidemia em 2013.
O governo confirma que as três regiões são as que mais preocupam, mas reconhece também que a situação na Região Metropolitana de Belo Horizonte se torna mais grave por causa da transmissão mais acelerada do vírus. A mais recente morte confirmada é a do menino D.L., de 4 anos, morador de Santa Luzia. Segundo a Secretaria de Saúde do município, a criança morreu na quinta-feira no Hospital Infantil João Paulo II, depois de apresentar complicações por causa de dengue hemorrágica. Morte leva o número de óbitos na Grande BH a cinco.
“Essas regiões (Triângulo, Vale do Aço e Norte) são as que mais nos preocupam. Estamos direcionando ações emergenciais para esses locais”, admite a coordenadora do programa estadual de combate à dengue, Geane Andrade. As três regiões têm em comum condições climáticas favoráveis à proliferação do Aedes aegypti, com grande volume de chuvas e temperaturas elevadas. A troca de prefeitos e consequente desarticulação de equipes de controle a endemias e de coleta do lixo continuam a ser apontadas pelo governo do estado como aspectos que contribuíram para o avanço da epidemia.
O novo balanço da dengue mostra ainda que há outras regiões consideradas de baixo risco que passam a figurar na lista de alta incidência da doença. Doresópolis, no Oeste de Minas, por exemplo, notificou 95 casos suspeitos. O município, de 1, 4 mil habitantes, ocupa o topo do ranking das cidades com maior proporção de notificações em relação à população nas últimas quatro semanas.
A coordenadora do programa estadual de combate à dengue, Geane Andrade, explica que uma das principais medidas para atender os pacientes da RMBH é a criação de postos de atendimento. “Estão sendo criadas unidades de hidratação em Contagem, Betim e Belo Horizonte para atender o maior número de pessoas possível.”
Além disso, ela ressalta que as ações de controle,
com uso de larvicida e o trabalho dos agentes de controle de endemias têm sido
reforçadas. “Mas as pessoas têm de continuar cuidando para que não tenhamos
novos focos. É preciso atenção aos pratinhos de plantas, caixas- d’água, calhas
e tudo que possa acumular água parada para evitar criadouros”, ressalta.

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