No dia em que novo balanço apontou mais 1.545 casos
em uma semana, média de 220 por dia, a Secretaria Municipal de Saúde confirmou
que duas mortes ocorreram por causa da doença na capital, as duas vítimas eram
mulheres, moradoras dos bairros Sagrada Família e Califórnia. A situação de
epidemia, reconhecida pelo governo de Minas e pela Prefeitura de Belo
Horizonte, se reflete até na Fundação Ezequiel Dias (Funed), que está
sobrecarregada: desde janeiro, a média de amostras que chegam ao laboratório é
de 700 por dia, contra 500 por mês em épocas de menor incidência da dengue.
“Os casos estão realmente disseminados. A
população, numa epidemia, costuma achar que todos os sintomas são de dengue.
Mas a grande maioria das amostras realmente são positivas”, diz Maira Alves
Pereira, da Funed, responsável técnica pelas análises. O balanço de Belo Horizonte
divulgado ontem mostra que a transmissão continua alta. Com mais 1.545 casos
confirmados, o total subiu 36,6% e chegou a 5.760 casos na semana passada havia
4.215 pessoas infectadas. O número de notificações passou de 14.591 para
23.479, aumento de 60,9%. Ainda há 15.400 pendências. O balanço aponta
também que a Região Norte da capital lidera no número de casos confirmados
(1.244), seguida pelas regionais Nordeste e Pampulha.
Para o infectologista Unaí Tupinambás, professor da
Faculdade de Medicina da UFMG, o quadro é preocupante e é preciso promover
melhor atendimento à população doente. “É importante frisar que a dengue tem
tratamento. Num quadro de epidemia, os esforços devem ser para controlar as
mortes e garantir o atendimento com salas de soroterapia, sobretudo para
crianças e idosos”, defende.
“Já que não foi possível controlar os criadouros do
mosquito, o que seria mais eficiente antes da epidemia, é importante estimular
ações para reduzir esses focos”, completa. A prefeitura anunciou que um contêiner
de atendimento 24 horas começa a funcionar hoje no Barreiro – a unidade ficará
aberta também nos fins de semana e feriados. Na semana que vem, a Secretaria de
Saúde abre dois postos nas unidades de pronto atendimento Norte e Oeste. Nos
contêineres de Venda Nova e da Pampulha, 308 pessoas já foram atendidas.
Neste ano, a prefeitura recebeu 4.022 pedidos de vistoria de imóveis que possam abrigar criadouros do mosquito Aedes aegypti, segundo dados divulgados ontem pela Gerência de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde. O número é quase três vezes maior que as 1.363 solicitações registradas entre janeiro e março de 2012, além de ser 23,75% superior às 3.250 ocorridas em todo o ano passado.
Todas as denúncias são verificadas por agentes da prefeitura, segundo a gerente de Controle de Zoonoses, Silvana Brandão. “A grande maioria se refere a imóveis habitados”, informa. Ela considera positivo o aumento no número de pedidos de inspeção. “A população está mobilizada. A gente espera que as pessoas nos deem retorno. A situação requer que todos façamos nosso papel, que verifiquem possíveis riscos, seja no nosso domicílio ou no de outra pessoa”, afirma.
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